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5 de agosto de 2015

Hormônio do crescimento e envelhecimento

No texto anterior, aprendemos que a medida que o tempo passa, nossas células envelhecem e seus tecidos perdem função. Isso acaba por levar à diminuição nos níveis de alguns hormônios, entre eles o hormônio do crescimento ou GH (do inglês growth hormone). Neste "capítulo", entenderemos um pouco mais sobre como o GH age e o que vai acontecendo à medida que os anos passam...
A glândula hipófise, que está localizada na base do cérebro logo atrás dos nossos olhos, começa a fabricar o GH desde muito cedo, quando ainda estamos dentro do ventre de nossas mães. O gene do GH está localizado no cromossomo 17 e é regulado por interações complexas. A secreção do GH pela hipófise pode ser estimulada ou inibida por diferentes fatores. O GHRH (do inglês growth hormone releasing hormone), por exemplo, é um hormônio produzido na região do cérebro chamada de hipotálamo e estimula a secreção do GH; já a somatostatina, inibe a secreção do GH. Fatores não hormonais também são importantes. A atividade física aumenta a secreção de GH e a obesidade diminui. A liberação do GH pela hipófise acontece em pulsos, isto é, durante a noite na fase de sono profundo, são liberadas grandes quantidades em intervalos pequenos. Esta informação é importante, pois uma dosagem baixa de GH não significa necessariamente que haja deficiência, mas que a coleta do exame foi feita no momento ou de forma incorretos.



Após cair na corrente sanguínea o GH viaja até o fígado onde estimula a produção do IGF-1. É através do IGF-1 que o GH promove o crescimento através da cartilagens localizadas nos ossos longos. Outras funções importantes do GH são aumento da síntese proteica, o que ajuda a formar músculos, e aumento da lipólise, isto é, aumento da queima da gordura estocada.
A medida que ficamos mais velhos, duas coisas acontecem:
1- O hipotálamo reduz progressivamente a secreção do GHRH. Além disso, a hipófise torna-se cada fez menos sensível ao hormônio hipotalâmico. Como consequência, a secreção de GH também cai.
2- Existe a tendência à inatividade com consequente ganho de peso. Como vimos anteriormente, isso também contribui para queda nos níveis do GH. Aqui temos um ponto frequentemente interpretado de maneira incorreta pelos defensores das terapias de "modulação hormonal" para combater o envelhecimento. A queda do GH é consequência da envelhecimento e de um modo de vida sedentário e não a causa! Outro fator que pode piorar a secreção do GH com a idade é a baixa qualidade do sono.
Apesar de todos os indícios apontarem que a queda dos níveis do GH são consequência e não causa do processo de envelhecimento, já foram realizados diversos estudos visando normalizar ou "modular" os níveis deste hormônio na tentativa de manter o bem estar e a juventude. No entanto, os resultados foram ora contraditórios, ora decepcionantes...
Um dos estudos mais bem desenhados sobre o assunto foi publicado na revista médica JAMA em 2002. Neste ensaio clínico randomizado, foram avaliados 131 pacientes (homens e mulheres) com mais de 65 anos. Conforme esperado, o uso do GH ajudou a aumentar a massa muscular, reduzir a massa gordurosa e a melhorar a performance atlética de maneira muito sutil. Contudo, efeitos adversos como inchaço, dores nas juntas, síndrome do túnel do carpo e diabetes foram muito frequentes, o que levou os pesquisadores do estudo a concluir que este tipo de tratamento não deve ser usado, pois os prejuízos à saúde são maiores que os benefícios.
Cinco anos após, em 2007, foi publicada na revista Annals of Internal Medicine um extensa revisão de toda a literatura médica sobre o uso do GH como tratamento "anti-aging". Esta revisão compilou os dados de 18 estudos para chegar às seguintes conclusões:
- os estudos foram curtos demais. Não duraram mais do que 6 meses. Isso limita muito a capacidade de avaliar benefícios e principalmente os possíveis riscos à saúde.
- GH não emagrece. O peso dos participantes se manteve estável. Contudo, em média, houve ganho de 2 quilos de massa magra e perda de 2 quilos de gordura.
- essa mudança na composição corporal não foi capaz de reduzir os níveis de colesterol nem de melhorar a massa óssea após os devidos ajustes às particularidades de cada paciente.
- os pacientes que fizeram uso de GH apresentaram efeitos adversos como inchaço, dores nas juntas, síndrome do túnel do carpo, glicose elevada, diabetes e ginecomastia (crescimento de mamas em homens).
Logo, o uso da terapia de "modulação hormonal" com GH oferece um ganho muito discreto às custas de efeitos adversos muito frequentes e custo elevado. Além disso, estudos com animais têm mostrado que níveis diminuídos de GH estão associados à maior longevidade, uma observação intrigante que põe em cheque a hipótese de que a reposição de hormônio do crescimento seria de fato um tratamento "anti-aging".
Infelizmente, apesar dos fatos científicos e das recomendações em contrário, algumas pessoas ainda buscam e outras ainda oferecem esta falsa "fonte da juventude"...
Fique de olho! E na sequência, conversaremos sobre outros hormônios e seus papéis no envelhecimento.

Referências:
1- Blackman MR et al. Growth hormone and sex steroid administration in healthy aged women and men: a randomized controlled trial. JAMA. 2002;288(18):2282.
2- Liu H et al. Systematic review: the safety and efficacy of growth hormone in the healthy elderly. Ann Intern Med. 2007;146(2):104.

Dr. Mateus Dornelles Severo
Médico Endocrinologista
Mestre em Endocrinologia
CREMERS 30.576

26 de julho de 2015

Maconha pode ser útil no tratamento da dor em pacientes diabéticos com neuropatia

Uma das complicações mais prevalentes e mais problemáticas em pacientes diabéticos é o acometimento dos nervos. A neuropatia diabética costuma acometer de 30 a 50 por cento dos pacientes diabéticos em algum momento. O quadro clínico é variável e depende dos nervos acometidos. A forma mais frequente é a polineuropatia sensório-motora distal, que costuma causar sintomas dolorosos no pés. A dor deste tipo de neuropatia, em alguns casos, é de difícil tratamento apesar das diversas opções terapêuticas disponíveis. Considerando isso, um grupo de médicos da Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos, resolveu estudar o efeito terapêutico da maconha no combate à dor neuropática.



No estudo publicado na revista médica  “Journal of Pain” no final do mês de julho de 2015, dezesseis pacientes diabéticos dos tipos 1 e 2 foram avaliados através de um ensaio clínico randomizado se o uso da maconha vaporizada poderia ajudar no controle dos sintomas dolorosos. Para que o estudo fosse feito, os pesquisadores usaram maconha de procedência certificada, ou seja, com quantidades conhecidas do princípio ativo delta-9-tetrahidrocanabinol (THC). Além disso, a maconha não foi fumada, mas vaporizada através de um aparelho chamado Volcano. Este vaporizador esquenta a maconha até 200 graus Celsius, fazendo com que sejam liberados os princípios ativos na forma de vapor que é nebulizado pelos participantes do estudo.
Durante as 4 horas que se seguiram à nebulização, foram avaliados os sintomas dolorosos e os possíveis efeitos adversos. O estudo mostrou que quanto maior a dose inalada, maior o potencial analgésico do vapor de maconha. Contudo, efeitos adversos com lentificação psicomotora e euforia também foram mais comuns com doses maiores.
O estudo é importante por evidenciar o potencial de uma nova classe terapêutica para uma condição de difícil tratamento. Contudo, os resultados ainda são preliminares, já que o grupo estudado foi muito pequeno e por período tempo insignificante, ainda mais sabendo que o diabetes é uma doença crônica que requer tratamentos prolongados, ou seja, realmente seguros e eficazes. Logo, não vale fumar maconha para tratar dor nos pés. Até que mais estudos confirmem estes achados, tal abordagem pode trazer mais riscos do que benefícios.

Dr. Mateus Dornelles Severo
Médico Endocrinologista
Mestre em Endocrinologia
CREMERS 30.576

31 de maio de 2015

Novos antidiabéticos suspeitos de causar cetoacidose

Em meados de maio de 2015, o FDA, agência regulatória de medicamentos dos Estados Unidos, emitiu um alerta de que os medicamentos para tratar diabetes pertencentes a classe conhecida como inibidores do SGLT2, ou glifozinas, podem ser causa de cetoacidose diabética, uma complicação grave com necessidade de hospitalização. O alerta incluiu os inibidores de SGLT2 canaglifozina (Invokana), dapaglifozina (Forxiga) e empaglifozina (Jardiance), os dois últimos já disponíveis no mercado brasileiro.



Segundo o FDA, em um período de pouco mais de um ano, foram relatados 20 casos de cetoacidose diabética em pacientes com diabetes do tipo 2. Este tipo de complicação é pouco frequente no diabetes mellitus tipo 2. Além disso, os casos reportados tiveram apresentação atípica, com medidas de glicemia abaixo de 200 mg/dL. Nos pacientes com diabetes tipo 1, a cetoacidose costuma acontecer em níveis de glicemia acima de 250 mg/dL.
Entre os possíveis sintomas de cetoacidose diabética estão falta de ar, náusea, vômito, dor abdominal, confusão mental e fadiga e sonolência excessivas. Os profissionais da saúde, sejam endocrinologistas ou não, devem estar atentos para esta sintomatologia e suspender o uso do medicamento suspeito se a cetoacidose for confirmada. Conforme o FDA, os casos de cetoacidose possivelmente causados por glifozinas surgiram entre 1 e 175 dias após o início do uso da medicação, e, em metade dos casos, não houve fator precipitante como infecções ou desidratação.
Em resumo, médicos e pacientes devem estar atentos para cetoacidose diabética como possível complicação do tratamento com inibidores do SGLT2, para evitar desfechos mais graves. Também é recomendado que casos suspeitos sejam devidamente notificados às autoridades competentes (no Brasil, a ANVISA).
Fonte: Medscape

Dr. Mateus Dornelles Severo
Médico Endocrinologista
Mestre em Endocrinologia
CREMERS 30.576

24 de maio de 2015

Fazendo uso correto da levotiroxina (hormônio tireoidiano)

O paciente que faz tratamento com levotiroxina, o hormônio tireoidiano, deve atentar para alguns detalhes importantes. O objetivo das recomendações a seguir é facilitar o ajuste da dose, assim como mantê-la estável.

Recomendação 1.

Tome a levotiroxina de estômago vazio, na primeira hora da manhã, idealmente 1 hora antes do café. Os alimentos interferem na absorção deste medicamento.



Recomendação 2.

Evite trocar a marca do medicamento. A levotiroxina é um fármaco com margem terapêutica estreita, isto é, pequenas alterações na dose, ou a simples troca de marca, são capazes de desregular a reposição hormonal. Apesar das mesmas doses serem consideram equivalentes, sabe-se que existem diferenças na maneira como cada pessoa absorve cada marca de comprimido.

Recomendação 3.

Avise seu médico sobre o uso de outros medicamentos. Alguns medicamentos de uso corrente podem interferir na função tireoidiana e fazer com que a dose de levotiroxina precise ser ajustada.
São medicamentos que podem exigir aumento da dose da levotiroxina: lítio, amiodarona, xaropes para tosse, carbonato de cálcio, sulfato ferroso, omeprazol entre outros.
São medicamentos que podem exigir diminuição da dose da levotiroxina: amiodarona, medicamentos contendo iodo ou que interfiram na imunidade.

Recomendação 4.

Caso esqueça de tomar a levotiroxina. Tome a dose dobrada no dia seguinte. Faça disso a exceção e não a regra. A tomada diária, de maneira correta, é importante para se manter os níveis hormonais estáveis.

Siga corretamente as recomendações acima e visite regularmente seu endocrinologista.


Dr. Mateus Dornelles Severo
Médico Endocrinologista
Mestre em Endocrinologia
CREMERS 30.576

17 de maio de 2015

Medo de insulina

Quem nunca ouviu na sua infância a ameaça: “Olha que eu vou te levar no médico, e ele vai te dar uma injeção!”? Ou a história: “... e ele começou a usar insulina e teve que amputar a perna...”? Ou, menos frequentemente, vivenciou a rotina de um familiar que se escondia com suas agulhas e seringas, e que um dia sucumbiu à morte, após anos de hemodiálise?
Não podemos negar que agulhas, injeções e insulina estão emocionalmente associadas à punição, sofrimento e morte.  E que, há pouco tempo, coexistiam frequentemente.



Por isso, não é surpresa quando uma pessoa com diabetes declara: “Não quero usar insulina de jeito nenhum!”. Quando tentamos entender esta afirmação, logo encontramos vários aspectos.
Primeiro, para aceitar que temos uma doença, precisamos perceber a nossa vulnerabilidade e encarar que um dia iremos morrer. O remédio que tomamos pode ser visto como uma lembrança diária disto. Imaginar uma aplicação diária de insulina, então, pode ser algo insustentável para alguns.
Segundo, até algumas décadas atrás, as campanhas de detecção e tratamento precoce do diabetes eram menos difundidas. Muito frequentemente, as pessoas passavam de 10 a 20 anos com a doença não diagnosticada, e quando a descobriam, já apresentavam perda de visão ou precisavam de hemodiálise, por causa do longo tempo de hiperglicemia não tratada. Além disso, a sua reserva de produção de insulina também se esgotava por falta de tratamento, e o paciente precisava receber insulina. Assim, uma pessoa aparentemente saudável era vista no mesmo período de sua vida iniciando o uso de insulina e amputando uma perna, por exemplo. O entendimento popular destes acontecimentos era: “A pessoa ficou doente por causa da insulina”.
Terceiro, agulhas que provocavam dor na aplicação, aspiração da insulina de dentro de frascos, doses que precisavam ser colocadas em seringas com numerações diferentes...  Por décadas, a aplicação de insulina era realmente desconfortável e complexa. 
Assim, chegamos aos dias de hoje. Em geral, o diagnóstico é mais precoce, e podemos fazer um bom tratamento para manter a glicemia controlada. As pessoas com diabetes vivem mais e melhor, já que a maior parte das complicações é evitada. Entretanto, em algum momento, pode ser necessário usar insulina, justamente para manter a qualidade de vida e evitar complicações. 
Atualmente, temos disponíveis práticas canetas aplicadoras de insulina e agulhas tão finas que tornam a picada quase imperceptível. Os pacientes não adoecem ao usar insulina. Pelo contrário, se ela for iniciada no momento correto, permite garantir a sua saúde. 
O aumento da longevidade com boa qualidade de vida é uma realidade para as pessoas com diabetes. Entretanto, medos e preconceitos surgem quando é necessário utilizar insulina. Entender que algumas crenças podem estar equivocadas e assumir com maturidade seus cuidados pela saúde pode ampliar ainda mais estes benefícios.

Dra. Simone Peccin
Médica Endocrinologista
Mestre em Endocrinologia (UFRGS)
CREMERS 18941
Consultório em Porto Alegre/RS
Fone: (51) 3346 2441

29 de abril de 2015

hCG e emagrecimento – mito ou verdade

Que vivemos em uma epidemia de excesso de peso e obesidade, não há dúvidas. A crescente consciência de que os quilos a mais não trazem somente prejuízo estético, mas também problemas de saúde como diabetes mellitus tipo 2, pressão alta, colesterol alto, risco aumentado de morte por doenças cardiovasculares e câncer, tem feito com que se procure alternativas para o tratamento. Um método que vem ganhando espaço na mídia é o uso da gonadotrofina coriônica humana ou hCG. Mas será um tratamento válido? Vejamos o que nos dizem as evidências científicas...


Ao contrário do que se imagina, a controvérsia sobre o uso do hCG para o emagrecimento já tem 60 anos. Em 1954, o Dr. Simeons publicou na revista Lancet o artigo intitulado “The action of chorionic gonadotrophin in the obese”. Neste estudo, o hCG era usado em conjunto com uma dieta altamente restritiva, de apenas 500 calorias por dia, com o objetivo de se fazer perder peso sem fome e mantendo a massa muscular. Contudo, estudos melhor desenhados realizados a partir da década de 1970 não mostraram esse efeito benéfico do hCG. No ano de 1995, o Dr. Lijensen publicou na revista British Journal of Clinical Pharmacology uma extensa revisão de todos os estudos científicos realizados com hCG para o emagrecimento até o momento. O artigo “The effect of human chorionic gonadotropin (HCG) in the treatment of obesity by means of the Simeons therapy: a criteria-based meta-analysis” avaliou 16 estudos e concluiu que não existe qualquer evidência de que o hCG seja efetivo no tratamento da obesidade. Além de não auxiliar na perda do peso, o hCG não é melhor que o placebo em manter a massa magra, reduzir a fome ou manter o bem estar. Em outras palavras, este estudo diz que usar hCG ou injeções de água dá na mesma, ou seja, é um tratamento sem efeito.
Como se isso já não bastasse, começaram a aparecer relatos na literatura associando o uso do hCG para emagrecimento com efeitos adversos graves como trombose. Um dos artigos mais recentes sobre o assunto foi publicado no ano de 2013 pelo Dr. Goodbar na revista Annals of Pharmacotherapy: "Effect of the human chorionic gonadotropin diet on patient outcomes".
Mas se o hCG não funciona e pode fazer tão mal, por que alguns médicos defendem seu uso e o prescrevem? Chegamos aqui a um ponto extremamente delicado...
Segundo os artigos 14, 112, 113 e 115 do Código de Ética Médica é vetado ao médico: praticar ou indicar atos médicos desnecessários ou proibidos pela legislação vigente no País; divulgar informação sobre assunto médico de forma sensacionalista, promocional ou de conteúdo inverídico; divulgar, fora do meio científico, processo de tratamento ou descoberta cujo valor ainda não esteja expressamente reconhecido cientificamente por órgão competente; anunciar títulos científicos que não possa comprovar e especialidade ou área de atuação para a qual não esteja qualificado e registrado no Conselho Regional de Medicina. Um profissional que esteja disposto a ser tão anti-ético só pode ter um conflito de interesse muito grande com a prescrição do hCG, isto é, está ganhando muito dinheiro com isso.
Não existe milagre no tratamento do excesso de peso e da obesidade. Existe trabalho sério! Medidas como modificação da dieta baseada em protocolos calóricos e nutricionais seguros; programas de exercício adaptados as capacidades e limitações de cada paciente; e aconselhamento comportamental, incluindo desenvolvimento de hábitos alimentares adequados, como lidar com o estresse e ansiedade, e como adaptar a dieta e o estilo de vida dentro do contexto familiar; geralmente demandam trabalho de equipe multidisciplinar responsável e competente.
Modismos e aproveitadores existem e sempre existirão. Quando você for ler qualquer texto na internet ou em revistas, ou mesmo quando for assistir alguma entrevista na TV, sempre procure conhecer as fontes. Certifique-se de que sejam pessoas sensatas e atualizadas, se são ligadas a centros acadêmicos ou a produção científica. Vá atrás das referências citadas e consulte as sociedades médicas e agências de vigilância sanitária. Cuide-se!
Fonte: http://www.drmateusendocrino.com/excesso-de-peso-e-obesidade/119-hcg-e-emagrecimento-mito-ou-verdade.html

Dr. Mateus Dornelles Severo
Médico Endocrinologista
Mestre em Endocrinologia
CREMERS 30.576

26 de abril de 2015

Prevenção de sintomas musculares causados por estatinas

As estatinas (sinvastatina, pravastatina, atorvastatina, rosuvastatina, pitavastatina) são os principais medicamentos utilizados para tratamento do colesterol elevado. Os representantes desta classe são utilizados na prevenção primária e secundária de doenças cardiovasculares como infartos e isquemias. Contudo, como em qualquer medicamento, efeitos adversos podem acontecer. Fraqueza e dores musculares são reportados por 1 em cada 1000 usuários de estatinas. Para evitar este tipo de incômodo, o médico deve estar atendo para alguns detalhes...

Doenças preexistentes

Pacientes com doenças neuromusculares, hipotireoidismo, insuficiência renal aguda ou crônica e doenças biliares são mais propensos a apresentarem sintomas musculares, logo, o uso de estatinas pode ser feito, com cuidado, preferencialmente após a compensação da doença de base.


Medicamentos em uso

Medicamentos que inibem a metabolização das estatinas pelos citocromo P4503A4 têm o potencial de aumentar os efeitos adversos musculares das estatinas. São eles: alguns medicamentos usados no tratamento da AIDS e hepatites virais (atazanavir, ritonavir), antifúngicos (cetoconazol, voriconazol), antibióticos (claritromicina, cloranfenicol). Além destes, os fibratos, corticoides e a ciclosporina também aumentam a toxicidade muscular das estatinas.

Escolha da estatina

As estatinas hidrofílicas (pravastatina e rosuvastatina) aparentemente são menos tóxicas ao tecido muscular que as lipofílicas (sinvastatina e atorvastatina). Logo, além do contexto clínico do paciente, o médico deve avaliar o perfil de efeitos adversos e os custos do tratamento, já que a potência e o preço das diferentes estatinas varia.

Atividades físicas

Pessoas que fazem uso de estatina não precisam nem devem deixar de fazer atividades físicas. Entretanto, o programa de atividades deve ser progressivo, já que exercícios vigorosos em pessoas sem condicionamento apropriado podem desencadear lesões musculares.

Observando estes cuidados e mantendo seu médico informado de possíveis sintomas, o tratamento será eficaz e principalmente bem tolerado.

Fonte: UpToDate OnLine

Dr. Mateus Dornelles Severo
Médico Endocrinologista
Mestre em Endocrinologia
CREMERS 30.576

18 de abril de 2015

Medicamentos e produtos naturais para obesidade

A obesidade é um problema de saúde pública. Os prejuízos que traz para a saúde são bem conhecidos, entretanto, o seu tratamento ainda é um dos principais desafios da medicina atual. Ela é reconhecida como uma doença crônica de caráter recidivante, ou seja, existe uma grande tendência das pessoas obesas que emagreceram voltarem a ganhar peso. Isto decorre da resposta fisiológica do corpo à redução da gordura, que dificulta a manutenção do peso em um patamar mais baixo.    
Atualmente, para conseguir bons resultados, precisamos de um grande empenho para mudança de hábitos de vida, além do uso eventual de medicamentos, que, quando bem utilizados, podem amplificar a redução e manutenção do peso.



Um dos mais frequentes questionamentos dos pacientes é a respeito de produtos comercializados sem receita médica, que prometem sucesso no emagrecimento. Anúncios em revistas e mesmo reportagens em meios de comunicação falam de alimentos naturais, funcionais e fitoterápicos como excelentes agentes emagrecedores. Entretanto, existem diferenças fundamentais entre estes produtos e os medicamentos.
Antes de um medicamento ser lançado no mercado, ele tem o seu princípio ativo cuidadosamente estudado em testes de laboratório por vários anos. Depois, ele passa por estudos para verificar sua segurança e, após muitos testes, sua eficácia é testada em grandes estudos comparados ao placebo. Isto é uma fundamental para avaliar se um medicamento realmente funciona, porque é comprovado que se um indivíduo ingerir alguma substância acreditando que ela tenha determinado efeito, ele poderá senti-lo, mesmo que temporariamente, - é o famoso efeito placebo. Depois de lançado no mercado, seguem-se estudando os efeitos benéficos e adversos do produto. 
"Produtos fitoterápicos ou naturais" (pholiamagra, chá branco, chá verde, guaraná em pó, óleo de palma, etc) são registrados com a comprovação de seu caráter tradicional e segurança com base na literatura médica, sem a necessidade de estudos específicos. Por outro lado, "medicamentos fitoterápicos" precisam ter pequenos estudos clínicos. Por exemplo, a cáscara sagrada pode ter sua propriedade laxativa descrita, e a garcínia cambogia, como auxiliar na redução de peso.
"Alimentos com propriedades funcionais" devem ter segurança demonstrada, e não são permitidas referências à cura ou prevenção de doenças, segundo as normas da ANVISA. Desta forma, a quitosana, por exemplo, deve ser referido como “auxiliar na redução da absorção de gordura e colesterol”, a goma guar, com a afirmação que  “as fibras alimentares auxiliam o funcionamento do intestino”, o óleo de cártamo e o óleo de coco como  “óleos vegetais” . 
Não existem soluções fáceis no tratamento da obesidade, o que torna os pacientes obesos extremamente vulneráveis a falsas promessas. Precisamos de informações corretas na mídia. Respeito à população.

Dra. Simone Peccin
Médica Endocrinologista
Mestre em Endocrinologia (UFRGS)
CREMERS 18941
Consultório em Porto Alegre/RS
Fone: (51) 3346 2441