30 de agosto de 2015

Manual do paciente: Cinco infrações éticas que são cinco alertas

MANUAL PARA PACIENTES. O objetivo desse manual é fazer um alerta aos pacientes, para que não caiam nas mãos de profissionais que infringem o código de ética médica do Conselho Federal de Medicina (CFM). Vivemos hoje na era da medicina baseada em evidências, não havendo espaço para médicos que batem no peito e dizem “eu faço segundo minha experiência”. CINCO orientações para você ficar atento e desconfiar, pois configuram infração ética:



1) Alegar ser especialista em determinada área, sem ter o nome registrado no site do CFM. Só é especialista quem fez residência médica ou foi aprovado na prova de titulo. Pós-graduação não titula ninguém. SE o seu médico não tem a especialidade registrada no site do CFM, muito provavelmente ele não é especialista.
2) Prescrever medicamentos ou tratamentos proibidos por órgãos regulatórios e entidades de controle e supervisão da prática da medicina (anabolizantes, GH, T3, DHEA ou qualquer outro hormônio sem a deficiência laboratorial comprovada). A utilização de terapêutica experimental é permitida quando aceita pelos órgãos competentes (ANVISA) e com o consentimento do paciente adequadamente esclarecidos da situação e das possíveis consequências.
3) Prescrever tratamentos reconhecidamente proscritos (segundo pareceres e consensos) por sociedades médicas na área (nacionais e internacionais).
4) Expor em redes sociais fotos de antes e depois dos seus pacientes ou foto com os pacientes famosos (paciente não é mercadoria e muito menos troféu).
5) Vender produtos ou remédios prescritos por ele na própria clínica ou direcionar a receita (geralmente medicações manipuladas) para farmácia específica.


Idealizador do post:
Dr. Yuri Galeno (endocrinologista de Natal – RN) @dryuri_insyde,

Colaboradores:
Dr. Ricardo Martins Borges (Nutrólogo de Ribeirão Preto – SP, mestre em medicina pela FMRP – USP) @clinicaricardoborges,
Dra. Tatiana Abrão (endocrinologista e nutróloga de Sorocaba – SP) @tatianaabrao,
Dr. Frederico Lobo (Clínico geral de Goiânia – GO) @drfredericolobo,
Dr. Daniella Costa (nutróloga de Uberlândia – MG) @dradaniellacosta,
Dr. Reinaldo Nunes (endocrinologista e nutrólogo de Campos – RJ, mestre em endocrinologia pela UFRJ) @drreinaldonunes,
Dr. Mateus Dornelles Severo (endocrinologista de Santa Maria – RS, Mestre em Ciências Médicas – Endocrinologia pela UFRGS e doutorando em Ciências médicas – Endocrinologia pela UFRGS) @drmateusendocrino,
Dr. Pedro Paulo Prudente (médico do esporte de Gramado – RS) @drpedropauloprudente,
Dra. Patricia Salles (endocrinologista de São Paulo – SP, mestranda em endocrinologia pela FMUSP), @endoclinicdoctors,
Dra. Camila Bandeira (endocrinologista de Manaus – AM) @endoclinicdoctors,
Dr. Walter Nobrega (clínico Geral do Rio de Janeiro – RJ) @drwalternobrega,
Dra. Deborah Carneiro (pediatra de Goiânia – GO) @dehcarneirolima,
Dr. Flávio Cadegiani (endocrinologista de Brasília – DF, doutorando em adrenal pela UNIFESP) @drflaviocadegiani,
Dra. Flávia Tortul (endocrinologista de Campo Grande – MS) @flaviatortul

16 de agosto de 2015

Hipertireoidismo: quando desconfiar se a tireoide está funcionando demais?

HIPERtireoidismo é como se chama a doença em que a glândula tireoide produz hormônios em excesso. É diferente de HIPOtireoidismo. Nesta última há uma diminuição na produção de hormônios pela tireoide.

O que é tireoide?

A tireoide é uma glândula localizada na região anterior do pescoço, logo abaixo do pomo-de-Adão. É responsável pela produção de hormônios (T4 e T3) que regulam o a maneira como nosso corpo usa a energia, ou seja, nosso metabolismo.
A tireoide, por sua vez, é controlada pela glândula hipófise, localizada na base do cérebro, através de um terceiro hormônio chamado TSH.

Localização da glândula tireoide logo abaixo do pomo-de-Adão.

Quais as causas de hipertireoidismo?

A principal causa de hipertireoidismo é a condição chamada de Doença de Graves (se pronuncia "greives"). Na Doença de Graves, a tireoide é atacada por anticorpos que a estimulam a produzir T4 e T3 em excesso. Pode acometer tanto homens quanto mulheres, mas é mais comum nestas. Os pacientes com Doença de Graves podem desenvolver, além dos sintomas de hipertireoidismo e aumento da tireoide, doença nos olhos, principalmente se fumarem. Chamamos esta doença dos olhos de Orbitopatia de Graves.
Outras causas de hipertireoidismo são:
- nódulos de tireoide tóxicos, ou seja, nódulos que produzem hormônio em excesso;
- tireoidites (inflamação da tireoide). Em alguns casos, essa inflamação é acompanhada por dor na localização da tireoide;
- ingestão de hormônio tireoidiano em excesso (o termo correto é tireotoxicose).

Quais os sintomas do hipertireoidismo?

As pessoas com hipertireoidismo geralmente tem sintomas como:
- ansiedade, irritabilidade e sono agitado;
- fraqueza, especialmente nos braços e coxas, o que torna difícil a subida de escadas;
- tremores finos, especialmente das mãos;
- aumento da produção de suor e intolerância ao calor;
- aceleração dos batimentos cardíacos e arritmias;
- cansaço;
- bócio (aumento do tamanho da tireoide);
- perda de peso apesar do apetite normal ou aumentado.

Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico é simples e feito através da dosagem dos hormônios (TSH, T4 e T3) no sangue. Para determinar a causa do hipertireoidismo, algumas vezes são necessários exames complementares como ecografia e cintilografia de tireoide.

Como é feito o tratamento?

O tratamento depende da causa do hipertireoidismo e pode ser feito com medicamentos, iodo radioativo ou cirurgia.
Caso você apresente sintomas e desconfie que possa estar com hipertireoidismo, procure o endocrinologista para avaliação e tratamento adequados.


Dr. Mateus Dornelles Severo
Médico Endocrinologista
Mestre em Endocrinologia
CREMERS 30.576

12 de agosto de 2015

DHEA e envelhecimento

A dehidroepiandrosterona (DHEA) e sua forma sulfatada, o sulfato de dehidroepiandrosterona (SDHEA), são produzidos pelas glândulas adrenais, que estão localizadas acima de cada um dos rins. O DHEA é considerado um androgênio fraco, isto é, um hormônio que precisa ser convertido em formas mais ativas para exercer suas funções biológicas. A produção do DHEA atinge seu pico por volta do 25 anos. À medida que envelhecemos, sua produção diminui. Por volta dos 80 anos, a concentração de DHEA é cerca de 80 por cento menor.
Pequenas quantidades do DHEA e do SDHEA são convertidas em androgênios mais ativos (androstenediona, androstenediol, testosterona e 5-dihidrotestosterona) ou mesmo em estrogênios (estradiol e estrona) nas glândulas adrenais, nos folículos pilosos (locais onde crescem os pelos), próstata, órgãos genitais e no tecido adiposo (gordura). Estes hormônios mais ativos interagem com os receptores celulares e não o DHEA propriamente dito. Nas mulheres, DHEA e SDHEA são fontes importantes de efeito androgênico, o que não acontece nos homens.



O interesse em suplementar DHEA é crescente. Vários efeitos benéficos têm sido defendidos, como ação vasodilatadora, anti-depressiva, anti-inflamatória, anti-aterosclerótica e mesmo anti-envelhecimento. Mas será o DHEA a tão procurada "fonte da juventude"?
Em pacientes com insuficiência adrenal, doença caracterizada pela redução na produção de corticoides, o uso do DHEA pode ser útil. Diferentes estudos mostram que o uso de doses entre 50 e 200 mg por dia podem melhorar o bem estar e sintomas psicológicos. Alguns destes estudos também evidenciaram, de forma menos consistente, melhora na função sexual, massa óssea e massa magra. Vale lembrar que estes efeitos benéficos foram observados em pessoas com doença adrenal grave e não na redução hormonal relacionada à idade.
Quando utilizado como estratégia "anti-aging", o DHEA não mostra resultados tão animadores. Ensaios clínicos randomizados têm resultados conflitantes com relação ao bem estar, sendo que a maioria dos estudos não consegue demonstrar esse efeito. Com relação ao aumento de massa magra, os estudos são categóricos em afirmar que o uso do DHEA para esta finalidade não funciona. Apesar de estudos em animais evidenciarem redução de gordura abdominal, a maioria dos estudos com seres humanos não evidenciou este efeito. Outras propriedades não observadas foram  prevenção da perda de memória e prevenção de doenças cardiovasculares.  Por fim, o uso de DHEA pode aumentar a densidade mineral óssea, principalmente no fêmur. Contudo, se esta melhora no tecido ósseo se traduz em prevenção de fraturas, ainda não se sabe.
O uso do DHEA não é isento de efeitos adversos. Aumento da oleosidade da pele, crescimento excessivo de pelos, redução do colesterol HDL ("colesterol bom"), palpitações e surtos maníacos podem acontecer, já que estamos falando de um hormônio androgênico. Outro problema é com relação a sua pureza. Como o DHEA é importado e nos Estados Unidos, é considerado um suplemento alimentar, muitas vezes as apresentações comerciais têm origem duvidosa e concentrações diferentes das informadas no rótulo.
Em resumo, apesar de existir a opção de reposição via oral do DHEA, este tipo de tratamento de "modulação hormonal" traz poucos ou nenhum benefício a não ser que o usuário tenha insuficiência adrenal confirmada. Além disso, os estudos que avaliaram este tipo reposição envolveram poucos participantes e não duraram mais do que 2 anos. Isto compromete muito a capacidade de generalização dos resultados principalmente no que se refere à segurança do tratamento. Logo, como podemos perceber, ainda não foi desta vez que a reposição de um hormônio foi capaz de combater o processo de envelhecimento...

Dr. Mateus Dornelles Severo
Médico Endocrinologista
Mestre em Endocrinologia
CREMERS 30.576

5 de agosto de 2015

Hormônio do crescimento e envelhecimento

No texto anterior, aprendemos que a medida que o tempo passa, nossas células envelhecem e seus tecidos perdem função. Isso acaba por levar à diminuição nos níveis de alguns hormônios, entre eles o hormônio do crescimento ou GH (do inglês growth hormone). Neste "capítulo", entenderemos um pouco mais sobre como o GH age e o que vai acontecendo à medida que os anos passam...
A glândula hipófise, que está localizada na base do cérebro logo atrás dos nossos olhos, começa a fabricar o GH desde muito cedo, quando ainda estamos dentro do ventre de nossas mães. O gene do GH está localizado no cromossomo 17 e é regulado por interações complexas. A secreção do GH pela hipófise pode ser estimulada ou inibida por diferentes fatores. O GHRH (do inglês growth hormone releasing hormone), por exemplo, é um hormônio produzido na região do cérebro chamada de hipotálamo e estimula a secreção do GH; já a somatostatina, inibe a secreção do GH. Fatores não hormonais também são importantes. A atividade física aumenta a secreção de GH e a obesidade diminui. A liberação do GH pela hipófise acontece em pulsos, isto é, durante a noite na fase de sono profundo, são liberadas grandes quantidades em intervalos pequenos. Esta informação é importante, pois uma dosagem baixa de GH não significa necessariamente que haja deficiência, mas que a coleta do exame foi feita no momento ou de forma incorretos.



Após cair na corrente sanguínea o GH viaja até o fígado onde estimula a produção do IGF-1. É através do IGF-1 que o GH promove o crescimento através da cartilagens localizadas nos ossos longos. Outras funções importantes do GH são aumento da síntese proteica, o que ajuda a formar músculos, e aumento da lipólise, isto é, aumento da queima da gordura estocada.
A medida que ficamos mais velhos, duas coisas acontecem:
1- O hipotálamo reduz progressivamente a secreção do GHRH. Além disso, a hipófise torna-se cada fez menos sensível ao hormônio hipotalâmico. Como consequência, a secreção de GH também cai.
2- Existe a tendência à inatividade com consequente ganho de peso. Como vimos anteriormente, isso também contribui para queda nos níveis do GH. Aqui temos um ponto frequentemente interpretado de maneira incorreta pelos defensores das terapias de "modulação hormonal" para combater o envelhecimento. A queda do GH é consequência da envelhecimento e de um modo de vida sedentário e não a causa! Outro fator que pode piorar a secreção do GH com a idade é a baixa qualidade do sono.
Apesar de todos os indícios apontarem que a queda dos níveis do GH são consequência e não causa do processo de envelhecimento, já foram realizados diversos estudos visando normalizar ou "modular" os níveis deste hormônio na tentativa de manter o bem estar e a juventude. No entanto, os resultados foram ora contraditórios, ora decepcionantes...
Um dos estudos mais bem desenhados sobre o assunto foi publicado na revista médica JAMA em 2002. Neste ensaio clínico randomizado, foram avaliados 131 pacientes (homens e mulheres) com mais de 65 anos. Conforme esperado, o uso do GH ajudou a aumentar a massa muscular, reduzir a massa gordurosa e a melhorar a performance atlética de maneira muito sutil. Contudo, efeitos adversos como inchaço, dores nas juntas, síndrome do túnel do carpo e diabetes foram muito frequentes, o que levou os pesquisadores do estudo a concluir que este tipo de tratamento não deve ser usado, pois os prejuízos à saúde são maiores que os benefícios.
Cinco anos após, em 2007, foi publicada na revista Annals of Internal Medicine um extensa revisão de toda a literatura médica sobre o uso do GH como tratamento "anti-aging". Esta revisão compilou os dados de 18 estudos para chegar às seguintes conclusões:
- os estudos foram curtos demais. Não duraram mais do que 6 meses. Isso limita muito a capacidade de avaliar benefícios e principalmente os possíveis riscos à saúde.
- GH não emagrece. O peso dos participantes se manteve estável. Contudo, em média, houve ganho de 2 quilos de massa magra e perda de 2 quilos de gordura.
- essa mudança na composição corporal não foi capaz de reduzir os níveis de colesterol nem de melhorar a massa óssea após os devidos ajustes às particularidades de cada paciente.
- os pacientes que fizeram uso de GH apresentaram efeitos adversos como inchaço, dores nas juntas, síndrome do túnel do carpo, glicose elevada, diabetes e ginecomastia (crescimento de mamas em homens).
Logo, o uso da terapia de "modulação hormonal" com GH oferece um ganho muito discreto às custas de efeitos adversos muito frequentes e custo elevado. Além disso, estudos com animais têm mostrado que níveis diminuídos de GH estão associados à maior longevidade, uma observação intrigante que põe em cheque a hipótese de que a reposição de hormônio do crescimento seria de fato um tratamento "anti-aging".
Infelizmente, apesar dos fatos científicos e das recomendações em contrário, algumas pessoas ainda buscam e outras ainda oferecem esta falsa "fonte da juventude"...
Fique de olho! E na sequência, conversaremos sobre outros hormônios e seus papéis no envelhecimento.

Referências:
1- Blackman MR et al. Growth hormone and sex steroid administration in healthy aged women and men: a randomized controlled trial. JAMA. 2002;288(18):2282.
2- Liu H et al. Systematic review: the safety and efficacy of growth hormone in the healthy elderly. Ann Intern Med. 2007;146(2):104.

Dr. Mateus Dornelles Severo
Médico Endocrinologista
Mestre em Endocrinologia
CREMERS 30.576

26 de julho de 2015

Maconha pode ser útil no tratamento da dor em pacientes diabéticos com neuropatia

Uma das complicações mais prevalentes e mais problemáticas em pacientes diabéticos é o acometimento dos nervos. A neuropatia diabética costuma acometer de 30 a 50 por cento dos pacientes diabéticos em algum momento. O quadro clínico é variável e depende dos nervos acometidos. A forma mais frequente é a polineuropatia sensório-motora distal, que costuma causar sintomas dolorosos no pés. A dor deste tipo de neuropatia, em alguns casos, é de difícil tratamento apesar das diversas opções terapêuticas disponíveis. Considerando isso, um grupo de médicos da Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos, resolveu estudar o efeito terapêutico da maconha no combate à dor neuropática.



No estudo publicado na revista médica  “Journal of Pain” no final do mês de julho de 2015, dezesseis pacientes diabéticos dos tipos 1 e 2 foram avaliados através de um ensaio clínico randomizado se o uso da maconha vaporizada poderia ajudar no controle dos sintomas dolorosos. Para que o estudo fosse feito, os pesquisadores usaram maconha de procedência certificada, ou seja, com quantidades conhecidas do princípio ativo delta-9-tetrahidrocanabinol (THC). Além disso, a maconha não foi fumada, mas vaporizada através de um aparelho chamado Volcano. Este vaporizador esquenta a maconha até 200 graus Celsius, fazendo com que sejam liberados os princípios ativos na forma de vapor que é nebulizado pelos participantes do estudo.
Durante as 4 horas que se seguiram à nebulização, foram avaliados os sintomas dolorosos e os possíveis efeitos adversos. O estudo mostrou que quanto maior a dose inalada, maior o potencial analgésico do vapor de maconha. Contudo, efeitos adversos com lentificação psicomotora e euforia também foram mais comuns com doses maiores.
O estudo é importante por evidenciar o potencial de uma nova classe terapêutica para uma condição de difícil tratamento. Contudo, os resultados ainda são preliminares, já que o grupo estudado foi muito pequeno e por período tempo insignificante, ainda mais sabendo que o diabetes é uma doença crônica que requer tratamentos prolongados, ou seja, realmente seguros e eficazes. Logo, não vale fumar maconha para tratar dor nos pés. Até que mais estudos confirmem estes achados, tal abordagem pode trazer mais riscos do que benefícios.

Dr. Mateus Dornelles Severo
Médico Endocrinologista
Mestre em Endocrinologia
CREMERS 30.576

22 de junho de 2015

Nódulos de tireoide: o que você precisa saber

O que são nódulos de tireoide?

Nódulos de tireoide são caroços redondos ou ovais localizados na glândula tireoide, na região anterior do pescoço. Estes nódulos são relativamente comuns e na maioria das vezes não trazem risco à saúde de quem os possui. Mas em alguns casos, esses nódulos podem ser causados por doenças graves, como o câncer.
A tireoide produz hormônios essenciais para regular nosso metabolismo. Geralmente, os nódulos de tireoide não interferem na produção desses hormônios. No entanto, alguns podem produzir excesso de hormônio e causar sintomas de hipertireoidismo.



Quais são os sintomas que os nódulos de tireoide podem causar?

Grande parte dos pacientes não sente nada. Descobre o nódulo em consultas de rotina ou por exames pedidos por outro motivo, como ecografia do pescoço. Por outro lado algumas pessoas têm sintomas como: sensação de corpo estranho no pescoço, aperto ou sufocamento no pescoço, perda de peso, fraqueza, coração acelerado e tremor.

Quais exames são necessários na avaliação do nódulo de tireoide?

Para se avaliar o nódulo de tireoide são necessários exames de sangue (hormônios da tireoide) e ecografia (exame de imagem que dá detalhes do tamanho e anatomia do nódulo). Alguns pacientes, dependendo do resultado desses exames, precisam fazer avaliação complementar com:
Punção aspirativa com agulha fina (PAAF): com uma agulha muito fina se retira uma pequena amostra de células do nódulo para serem examinadas no microscópio. Esse exame diz se o nódulo é maligno, benigno ou suspeito.
Cintilografia de tireoide: se ingere uma pequena quantidade de iodo radioativo e se avalia quais áreas da tireoide este material se concentra. É realizada quando se suspeita que o nódulo esteja produzindo hormônio em excesso.

Qual o tratamento dos nódulos de tireoide?

O tratamento depende se o nódulo causa sintomas compressivos, se produz ou não hormônios em excesso ou se é maligno ou benigno. Nódulos malignos, ou seja, câncer de tireoide, são tratados com cirurgia. Nódulos benignos e assintomáticos podem ser somente observados. Nódulos que produzem hormônio em excesso podem ser tratados com iodo radioativo.
Se você possui ou desconfia que possua nódulo(s) na tireoide, procure um endocrinologista para uma avaliação criteriosa.


Dr. Mateus Dornelles Severo
Médico Endocrinologista
Mestre em Endocrinologia
CREMERS 30.576

31 de maio de 2015

Novos antidiabéticos suspeitos de causar cetoacidose

Em meados de maio de 2015, o FDA, agência regulatória de medicamentos dos Estados Unidos, emitiu um alerta de que os medicamentos para tratar diabetes pertencentes a classe conhecida como inibidores do SGLT2, ou glifozinas, podem ser causa de cetoacidose diabética, uma complicação grave com necessidade de hospitalização. O alerta incluiu os inibidores de SGLT2 canaglifozina (Invokana), dapaglifozina (Forxiga) e empaglifozina (Jardiance), os dois últimos já disponíveis no mercado brasileiro.



Segundo o FDA, em um período de pouco mais de um ano, foram relatados 20 casos de cetoacidose diabética em pacientes com diabetes do tipo 2. Este tipo de complicação é pouco frequente no diabetes mellitus tipo 2. Além disso, os casos reportados tiveram apresentação atípica, com medidas de glicemia abaixo de 200 mg/dL. Nos pacientes com diabetes tipo 1, a cetoacidose costuma acontecer em níveis de glicemia acima de 250 mg/dL.
Entre os possíveis sintomas de cetoacidose diabética estão falta de ar, náusea, vômito, dor abdominal, confusão mental e fadiga e sonolência excessivas. Os profissionais da saúde, sejam endocrinologistas ou não, devem estar atentos para esta sintomatologia e suspender o uso do medicamento suspeito se a cetoacidose for confirmada. Conforme o FDA, os casos de cetoacidose possivelmente causados por glifozinas surgiram entre 1 e 175 dias após o início do uso da medicação, e, em metade dos casos, não houve fator precipitante como infecções ou desidratação.
Em resumo, médicos e pacientes devem estar atentos para cetoacidose diabética como possível complicação do tratamento com inibidores do SGLT2, para evitar desfechos mais graves. Também é recomendado que casos suspeitos sejam devidamente notificados às autoridades competentes (no Brasil, a ANVISA).
Fonte: Medscape

Dr. Mateus Dornelles Severo
Médico Endocrinologista
Mestre em Endocrinologia
CREMERS 30.576

28 de maio de 2015

A glândula tireoide e o controle das emoções

A glândula tireoide, localizada na parte anterior do pescoço, faz parte da regulação de importantes funções do nosso organismo e produz os hormônios T3 (triiodotironina) e o T4 (tiroxina). Ela atua no metabolismo celular, auxilia no controle do crescimento e desenvolvimento de crianças e adolescentes, no peso, na memória, na regulação dos ciclos menstruais, na fertilidade, na concentração, no humor e no controle emocional.



Quando ocorre o hipotireoidismo, ou seja, a tireoide produz hormônios insuficientes para regular as funções do organismo, pode ocorrer desânimo, fraqueza, depressão, sonolência associada à fadiga, lentificação da voz (que fica rouca) e dos movimentos. Além disso, pelo metabolismo corporal estar diminuído, acontece intolerância ao frio, ganho de peso apesar do apetite estar normal, pele e cabelos secos, o coração passa a bater mais devagar e, no caso das crianças e adolescentes, o crescimento pode ficar prejudicado. Ainda, está associado a dores musculares e articulares, aumento dos níveis de colesterol no sangue, ciclos menstruais irregulares e infertilidade.
A maioria dos pacientes com hipotireoidismo apresenta um quadro depressivo, mas o tratamento com antidepressivos não é eficaz enquanto o hipotireoidismo não for corrigido. Alguns autores acreditam que o hipotireoidismo estaria presente em 8 a 17 % das pessoas deprimidas. Assim, nos casos de má resposta da depressão a um tratamento antidepressivo, é necessário realizar um exame do funcionamento da tireoide. 
No caso do hipertireoidismo, que é a produção de hormônios tireoidianos em excesso, ocorre o aumento do metabolismo e, normalmente, acontece insônia associada a cansaço extremo, perda de peso, a pessoa pode apresentar agitação psicomotora, incapacidade de concentração, nervosismo, dificuldade em controlar emoções e agressividade, suor excessivo, intolerância ao calor, alteração do ciclo menstrual e aumento da atividade intestinal.
Nesse caso há também um quadro depressivo, entretanto, aqui a depressão costuma ser do tipo agitado, com alto grau de ansiedade. Alguns transtornos psicóticos, sobretudo confusão mental e delírios, podem se manifestar em casos de fortes crises agudas ou de fases muito avançadas de hipertireoidismo. Nos idosos, a apatia é frequente, havendo instabilidade do humor, ansiedade e, menos frequentemente, um quadro de melancolia.
Essas disfunções na tireoide podem ocorrer em qualquer sexo ou idade, sendo mais frequente entre as mulheres: cerca de 10% naquelas acima de 40 anos e em torno de 20% das que têm acima de 60 anos. É preciso estar atento, pois, às vezes, essas alterações podem simular doenças psiquiátricas como agitação intensa ou depressão. Por isso, é importante fazer o diagnóstico correto e a diferenciação entre as patologias para, então, iniciar o tratamento correto o mais breve possível.

Texto desenvolvido como atividade da Liga Acadêmica de Endocrinologia e Diabetes (LAED-UFSM)

Fontes:
Ballone GJ, Tireoide e Emoções, in. PsiqWeb, Internet, disponível em psiqweb.med.br, revisto em 2007.
Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, disponível em endocrino.org.br/tireoide.

Paula Thais Birk
Acadêmica do Curso de Medicina/UFSM

Dr. Mateus Dornelles Severo
Médico Endocrinologista
Mestre em Endocrinologia
CREMERS 30.576

24 de maio de 2015

Fazendo uso correto da levotiroxina (hormônio tireoidiano)

O paciente que faz tratamento com levotiroxina, o hormônio tireoidiano, deve atentar para alguns detalhes importantes. O objetivo das recomendações a seguir é facilitar o ajuste da dose, assim como mantê-la estável.

Recomendação 1.

Tome a levotiroxina de estômago vazio, na primeira hora da manhã, idealmente 1 hora antes do café. Os alimentos interferem na absorção deste medicamento.



Recomendação 2.

Evite trocar a marca do medicamento. A levotiroxina é um fármaco com margem terapêutica estreita, isto é, pequenas alterações na dose, ou a simples troca de marca, são capazes de desregular a reposição hormonal. Apesar das mesmas doses serem consideram equivalentes, sabe-se que existem diferenças na maneira como cada pessoa absorve cada marca de comprimido.

Recomendação 3.

Avise seu médico sobre o uso de outros medicamentos. Alguns medicamentos de uso corrente podem interferir na função tireoidiana e fazer com que a dose de levotiroxina precise ser ajustada.
São medicamentos que podem exigir aumento da dose da levotiroxina: lítio, amiodarona, xaropes para tosse, carbonato de cálcio, sulfato ferroso, omeprazol entre outros.
São medicamentos que podem exigir diminuição da dose da levotiroxina: amiodarona, medicamentos contendo iodo ou que interfiram na imunidade.

Recomendação 4.

Caso esqueça de tomar a levotiroxina. Tome a dose dobrada no dia seguinte. Faça disso a exceção e não a regra. A tomada diária, de maneira correta, é importante para se manter os níveis hormonais estáveis.

Siga corretamente as recomendações acima e visite regularmente seu endocrinologista.


Dr. Mateus Dornelles Severo
Médico Endocrinologista
Mestre em Endocrinologia
CREMERS 30.576

22 de maio de 2015

Transtornos alimentares: o sucesso do tratamento depende do trabalho em equipe

O que são os transtornos alimentares?

São distúrbios na percepção corporal e no comportamento alimentar que resultam em alterações físicas e psicológicas. São mais comuns em mulheres jovens e podem gerar consequências graves à saúde como insuficiência renal e doenças cardíacas. Podem ainda associar-se a outros transtornos psiquiátricos, que devem ser tratados concomitantemente, como a ansiedade, a depressão e os transtornos da personalidade.

Qual a causa dos transtornos alimentares?

Fatores biológicos, entre eles a própria genética, psicológicos, como as características da personalidade do indivíduo e socioculturais, como a influência da mídia que exalta o ideal de beleza magro.



Quais são os transtornos alimentares?

A anorexia nervosa, a bulimia nervosa e o transtorno de compulsão alimentar periódica.
O nome anorexia nervosa pode parecer enganoso, pois dá a entender que o problema central seja a falta de apetite. Na realidade, na anorexia nervosa, existe uma busca frenética por magreza associada a um medo catastrófico de engordar. Um limite de menos de 85% do peso mínimo normal para a idade e altura é utilizado com frequência no momento do diagnóstico. A amenorréia ou ausência de ciclos menstruais é característica importante do transtorno em mulheres, que respondem por 90-95% dos casos de anorexia nervosa.
Os pacientes com bulimia nervosa geralmente se diferenciam dos anoréxicos pelo seu peso relativamente normal, pela presença do comer compulsivo e descontrolado (grandes quantidades em pouco tempo) e pelo uso de medidas compensatórias, como laxativos, diuréticos, jejum e exercícios físicos, que visam evitar o aumento do peso.  Têm uma avaliação de si próprios exageradamente influenciada pela forma e o peso e costumam ocultar seus problemas e práticas compensatórias por muito tempo antes de procurarem ajuda.
O transtorno da compulsão alimentar periódica (TCAP)  é parecido com a bulimia nervosa, a diferença é que as pessoas não provocam a eliminação forçada das calorias. A pessoa come até sentir-se repleta, come geralmente sozinha, com embaraço, sem fome, sentindo-se culpada ou deprimida após os episódios de hiperalimentação. Até 30% dos pacientes obesos que procuram tratamento para perda de peso sofrem de TCAP.

Os transtornos alimentares podem levar uma pessoa à morte?

Sim. A anorexia nervosa apresenta a maior taxa de mortalidade entre todos os transtornos psiquiátricos. A mortalidade associada à anorexia nervosa é 12 vezes maior que a observada em mulheres jovens na população geral e decorre, na maior parte das vezes, das complicações cardiovasculares, insuficiência renal e suicídio.

Existe tratamento para os transtornos alimentares?

Sim. O tratamento é multidisciplinar, envolvendo várias abordagens como o acompanhamento psiquiátrico, psicológico, endocrinológico e nutricional e, em casos mais graves, internação hospitalar.

Dr. Régis Franciozi
Psiquiatra
CREMERS 30.577
Santa Maria/RS